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Mostrando postagens de agosto, 2022

Programa LUTO/LUTA Recital Cênico-Musical

 Luto e Luta Recital Cênico-Musical 1- Música de entrada 2- Canção 1  Eu não Quero Mais a Morte 3- Leitura do texto 1 4- Canção 2 Todas as Canções 5- Leitura do texto 2 6- Canção 3 Depois 7- Leitura do texto 3 8- Canção 4 Basta abrir a porta 9- Leitura do texto 4 10- Instrumental 11- Leitura do texto 5 12- Instrumental de Saída Ficha Técnica Textos e Músicas: Marcus Mota - Laboratório de Dramaturgia-UnB Intérpretes: Jonas Sales, Gabriele Cornelli, Eldom Soares, Janette Dornellas, José de Campos, Lucas Fonseca Banda:Marcus Mota, Cazen e Rachel Rianele Imagens e vídeos: Bruno Corte Real

TEXTO 5

  Texto 05    Segunda Feira Depois da extinção da desgraçada raça humana  não mais ódio, o futuro, as palavras.  Não há carros nas ruas, nem ruas, nem cidades.  Uma bola de luz e calor gira atravessando o universo a mais de cem mil quilômetros por hora. Ficam para trás e para sempre as grandes conquistas, as invenções e o tédio.  Não é possível ouvir os gritos sufocados dos que morreram a dura morte do dia a dia,  sonhando seus sonhos, amando seus desejos, a boca ainda aberta, os dentes amarelos.  Um homem de deus grita pelo fim do mundo e pede mais dinheiro.  Um homem do povo, como se o povo fosse uma pessoa,  um homem do povo pede votos e mostra as mãos limpas, brancas, radiantes. Um cantor e sua música ruidosa explodem nos ouvidos e a religião e o Estado dançam a festa de todos os sentidos.  Mas lá de longe, entre o vazio e os pedaços de estrelas,  não há o menor sinal de nossas misérias.  O líder de uma nação de...

Texto 4

Texto 4 Sejam bem-vindos os novos sábios de agora imponentes em sua irritação e fúria contra tudo que é correto, pacato e bom. Sempre há a divergência, o que nós não queremos. Isso não nos agrada, isso não é assim. Por força, nós não aceitamos os outros – eles!!!  E tem de ser tudo resolvido dessa maneira:  de um lado, o que não presta, a tediosa presença da lamúria;  de outro, os melhores, os que decidem, os que negam e se espalham.   Os novos sábios não mais se ocultam ou se arrependem.  Não há medo nem vergonha, apenas o evangelho da desgraça.  Todos os livros são inúteis – prevalece o que eu digo que é.   Saímos das sombras, do ridículo, do desprezo geral  e temos músicas, filmes e todo tipo de aclamação pública.  Ninguém mais vai impedir que o inevitável esgane a esperança.   Agora é a vez dos que eram considerados ignorantes, limitados,  agora é a vez do estorvo, do arbitrário, do sem freios e sensatez  nu...

TEXTO 3

  Texto 3   AS NOSSAS CRIANÇAS CRIANÇAS ESTÃO CORRENDO   As nossas crianças estão correndo  As perninhas mal saindo do chão  Quase voando, tropeçando em nuvens  Numa pressa de fugir pra longe.   Como correm essas crianças  O pescoço esticado quase a saltar da cabeça  Quase a chegar onde querer ir  O mais longe possível daqui.   É certo que vão cansar, que vão cair e se sujar da terra  Seus corpos vão cair e sangrar e a dor será insuportável.  Não há alegria, não escape  As crianças vão ficar imundas e feridas.   Mesmo assim elas correm, o choro contido em seus rostos  Elas correm e abrem seus olhos pra frente  Lá, longe daqui, alguém, algum lugar,   Elas correm querendo ultrapassar a barreira do provável.   Pois tão certo quanto a corrida é a queda  O encalço, o laço, o abraço fatal.  As crianças são caçadas, abatidas e mortas  Na grande arena ...

TEXTO 2

  Texto 2   Minha vó era doida,  doida doida de dar dó.  E doidos eram seus filhos e filhas,  E os filhos de seus filhos, doidos até.  Um dia minha vó fez um bolo,  Um bolo enorme, fedido.  E reuniu a filharada toda em volta da mesa.  Um bolo pra multidão.   Nunca havia bolo naquela casa,  Nunca uma festa, nem de despedida.  Em casa de doidos, os doidos são a festa,  A festa de doidos não precisa de bolo.   Então minha vó chegou em seu passinho lento,  Escorregando entre arrotos e saltos  E com todos em volta começou a rir -   Ela ria com a faca de cortar o bolo na mão: “Pra quem vai o primeiro pedaço?  Quem é meu predileto?  Quem quer comer do bolo que eu fiz?   Quem vai provar da minha comida?”   Minha vó cozinhava porcamente todos os dias.  Ninguém conseguia comer aquela porcaria.  Todos os dias a comida ia pro lixo  Mas todos os dias m...

TEXTO UM

UM         Enquanto telescópios espaciais vasculham os cada vez mais distantes ecos de nossas origens, homens lançam bombas em casas, escolas e hospitais, cumprindo ordens, cumprindo ordens, cumprindo ordens.         Enquanto imagens de galáxias as mais distantes pulsantes e vivas chegam até nós, um louco no poder, homens loucos no poder, ódio e ressentimento se espalham na paisagem cada vez menos verde do planeta.         Enquanto telescópios e galáxias e homens loucos no poder se avolumam nas telas e mentes, uma mulher corre desesperada na esteira, o suor em seu corpo, seu corpo forte, os caminhos abertos, nenhum sorriso, o olhar firme, um mundo dentro dela, girando, planetas, estrelas, e ela quase a voar, vermelha, quase a derreter, a sumir, a mulher em fuga, para sempre, adiante, a correr.        Enquanto a mulher se lança para o nada em sua volta, e os telescópios nos trazem outros mundos, outras formas...